Textos

Trancas de um coração
     Como compreender a fortaleza do tronco e o sacrifício de sustentação das raízes senão para servirem à realeza da árvore e condicioná-la a produzir frutos?
      Mas, se há prazer no ato de servir, então, o que sente um coração embalado pelo orgulho de ser regido pela regra do “primeiro eu” e, indiferente aos reclamos dos que margeiam seus caminhos?
      Um ser apático, também é murcho, o que  murcha, também seca, o que seca, também cai, o que cai, tende à “putrefação”, e nem tudo que se putrefaz, fertiliza.
      Ter no peito um coração desobediente à razão, quase sempre é incômodo e rende sacrifícios, mas quem ama, tem o hábito de esquecer de si; costuma ultrapassar limites, consagrar o vinho, tomar o cálice e crucificar seus sentimentos. Por isso, só eles, os que amam, descobrem que a consistência de um ser não estar só no que resulta da sequência do dia-a-dia, buscando sobressair-se no que supre as necessidades materiais, nem no cumprimento dos deveres; isto, “são apenas cascas da vida”, jamais irrigarão a essência que revigora e fertiliza um coração para acolher o que impele os seres à procura do belo.

    
Josué Firmino
Enviado por Josué Firmino em 14/10/2011
Alterado em 05/12/2024


Comentários


Imagem de cabeçalho: Sergiu Bacioiu/flickr